BURNOUT: a doença do trabalho que revela o adoecimento da mente
Por fpiloto em fevereiro 18, 2024
Você já deve ter ouvido a palavra Burnout por aí. Ela tem se tornado cada vez mais falada nos diversos meios, principalmente nos relacionados ao ambiente organizacional.
O Burnout representa o último estágio de esgotamento relacionado ao trabalho, que é alcançado com o excesso de atividades, reuniões, problemas a serem resolvidos e toda a grande valorização que a sociedade dá ao “fazer”, sobrepondo-o ao “ser”.
Considerado um dos males dos tempos modernos, essa popularização do Burnout tem um lado positivo: tornar a saúde mental um tema cotidiano e garantir até mesmo mais direitos para os trabalhadores.
CAUSAS E SINTOMAS
Como dissemos lá em cima, o excesso de atividades está intimamente ligado ao Burnout, mas é preciso entender que esse excesso está além de uma agenda cheia ou vida corrida.
Os gatilhos para o Burnout são diversos e entre eles estão o dia a dia vivido no modo automático e a adoção de um perfil multitarefas que exige demais, mas que tem poucos resultados.
Seguindo essa premissa da atualidade de sempre “fazer”, o profissional se entrega para demandas maiores do que ele de fato dá conta, não conseguindo fazê-las ou mesmo fazendo-as de uma maneira não saudável.
Os sintomas podem começar discretamente, mas além de se tornarem expressivos com o tempo, eles comprometem não apenas o desempenho no trabalho, como prejudica a pessoa também no âmbito pessoal e afetivo.
Entre os sintomas estão:
DOENÇA DO TRABALHO
A relevância do Burnout para a saúde mental tanto de indivíduos quanto de organizações é tão grande, que em 2022 um avanço marcou o espectro dessa doença.
O Burnout foi incluído na Classificação Internacional de Doença (CID – 11), da Organização Mundial da Saúde (OMS).,ou seja, ele se tornou uma doença do trabalho. Em sua descrição, ele foi explicado como estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso.
Por que dizemos que foi um avanço?
O Burnout pode ser incapacitante para o trabalhador e ele finalmente deixou de ser culpa do próprio indivíduo e passou a ser responsabilidade também do empregador!
Com origem no ambiente de trabalho, com gatilhos despertados pelo trabalho e com sintomas e efeitos sentidos diretamente no trabalho, nada mais justo do que os empregadores também serem responsabilizados e os trabalhadores protegidos em suas necessidades.
A partir desse novo status, horizontes foram abertos para que novos olhares chegassem para o Burnout, tanto no que diz respeito a processos trabalhistas e à proteção e defesa dos colaboradores frente às injustiças laborais, como também no que diz respeito à sua prevenção.
Podendo ser responsabilizadas pelo Burnout de seus colaboradores, as empresas se vêem obrigadas a ficarem mais atentas aos seus funcionários e ao ambiente que proporcionam para a execução de suas funções, uma vez que grande parte do que leva ao Burnout vem das condições de serviço impostas.
QUEM SOFRE COM O BURNOUT?
Em um mundo tão acelerado, com cobranças cada vez mais intensas e a necessidade de apresentar resultados cada vez melhores, muitos profissionais acabam desenvolvendo o Burnout, mas qual é o perfil dessas pessoas?
O Burnout não tem rosto, gênero, classe social ou qualquer característica humana que o distinga, mas tem sim uma ocorrência maior em alguns perfis de trabalhadores justamente pelas injustiças da sociedade, que se replicam no ambiente de trabalho.
Três em cada dez profissionais estão sofrendo com estresse excessivo ou Burnout, como revelou um estudo de 2022, feito pela FIA Employee Experience (FEEx) e divulgado pelo Valor Econômico (https://valor.globo.com/carreira/noticia/2023/01/27/burnout-no-brasil-afeta-mais-mulheres-e-pessoas-nao-binarias-diz-estudo.ghtml).
O levantamento entrevistou 188 mil funcionários de 419 empresas brasileiras e também mostrou que mulheres e pessoas não-binárias são as principais vítimas.
As mulheres demonstraram 12% mais estresse excessivo e 73% mais casos de Burnout. As pessoas não-binárias tiveram 71% mais casos de Burnout.
Entre os motivos apontados estavam a convivência com os colegas, a sobrecarga de trabalho e até mesmo a baixa remuneração.
A responsável pelo estudo, Lina Nakata, destacou alguns pontos como gatilhos para essa realidade, como a dificuldade de grupos minorizados de serem quem são e a exclusão que sofrem no ambiente de trabalho, bem como o fato da maioria dos chefes serem do gênero masculino, o que muitas vezes favorece seus semelhantes.
Outro ponto que ela levantou foi o fato das mulheres serem mais conscientes sobre a saúde, o que as ajuda a reconhecerem os problemas que estão enfrentando.
COMO PREVENIR E/OU COMBATER O BURNOUT?
Primeiro é preciso ter em mente que qualquer diagnóstico só pode ser feito por um profissional capacitado para tal, como um psicólogo ou um psiquiatra.
Depois, é necessário ter consciência de que a saúde mental, assim como a saúde física, depende de uma série de fatores. Sendo assim, a prevenção do Burnout no ambiente organizacional passa principalmente pelos seus causadores, como redistribuição de tarefas, avaliação das performances e abordagens das chefias, bem-estar dos colaboradores, entre outras variáveis que influenciam diretamente a qualidade de vida do profissional em seus afazeres.
A prevenção do Burnout é um profundo trabalho de autoconhecimento da organização, que precisa conhecer, reconhecer e reaprender como ela pode proporcionar um ambiente mais saudável para seus colaboradores.
Já após o diagnóstico do Burnout, é importante seguir os passos orientados pelos especialistas, como a psicoterapia, o uso de medicamentos quando necessário, além da adoção de um estilo de vida no trabalho e em casa mais saudáveis.
A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL COMO ALIADA
O acompanhamento de problemas associados à saúde mental passam pela psicoterapia e uma das abordagens psicológicas que têm grande sucesso no tratamento do Burnout é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).
Seu foco está na maneira que o paciente interpreta os seus problemas e os demais acontecimentos e é na mudança desses filtros interpretativos, deixando de lado pensamentos automáticos, que a TCC auxilia o indivíduo a reconhecer o Burnout e a mudar os padrões que o levam até ele e o mantém em sua vida.
A Terapia Cognitivo-Comportamental ainda tem como característica a celeridade, ajudando o paciente a alcançar o seu objetivo com mais rapidez, o que também é vantajoso para o cenário atual, em que por natureza as pessoas de forma geral têm mais urgência na resolução de suas demandas.
Com a TCC é possível identificar comportamentos automáticos, padrões e filtros de interpretação e reação, ajudando também em sua mudança em busca de mais autonomia, compreensão e resolução de problemas, fatores importantíssimos no caminho de prevenção e combate ao Burnout.
Por isso a TCC é aliada de pessoas e organizações para a promoção da saúde mental, especialmente associada ao adoecimento causado pelo Burnout.
Conte com o Reconecta para embarcar nesse caminho!
Para saber mais sobre os impactos da saúde mental no ambiente organizacional, confira este post aqui.